MATÉRIA: Folha de Pernambuco – 23/04/2013

Empreendedorismo digital: de uma ideia simples para o mundo
Por Thulio Falcão, da Folha de Pernambuco

Foto: Nathália Bormann

De uma frustração com pessoas que não conheciam Darth Vader, Coringa e outros personagens, o consultor de Tecnologia da Informação (T.I) Rafael Oliveira teve uma ideia de divulgar a cultura nerd no Estado e criou o blog PernambucoNerd. Já o jornalista Geraldo de Fraga conversava e trocava sugestões sobre séries, filmes e quadrinhos relacionados ao gênero terror com amigos, até que um deles comentou sobre realizar um podcast* sobre o tema, o Toca o Terror. Sucessos na internet por utilizar redes sociais para divulgação do conteúdo, essas ideias são exemplos de empreendedorismo digital, que tem atraído cada vez mais pessoas a utilizarem plataformas como meio de negócio.

“A internet hoje, em sua configuração web 2.0, permite que qualquer usuário seja não apenas leitor, mas também produtor de conteúdo e isso, obviamente, alterou significantemente o modelo de negócios da internet. Se antes dessa revolução os produtores de conteúdo deveriam dominar em algum grau as linguagens de programação como o HTML, atualmente tal habilidade não é mais necessária”, afirma o doutor em Gestão Organizacional pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Rafael Lucian. O especialista comenta ainda sobre as redes sociais que se tornaram uma forma de ganhar dinheiro. “Pela facilidade de produção de conteúdo e divulgação, pode-se gerar lucro de forma direta ou indireta. A primeira refere-se à remuneração pelo próprio produto virtual; indireta quando o objetivo é se promover para ser remunerado por serviços contratados devido ao que se fez na internet”.

O PernambucoNerd tem “dois anos, quatro meses e alguns dias”, brinca Rafael, que, logo no início, com dois meses e meio de blog, decidiu captar recursos para realizar suas atividades nerd. “Eu iniciei com o Dia do Orgulho Nerd e o Dia da Toalha. No primeiro ano, realizei o evento na Livraria Saraiva e atraiu 120 pessoas. No ano seguinte, promovi na Livraria Cultura. No último evento, tivemos 600 confirmações pelo Facebook e realizei no Paço Alfândega por conta do espaço”, relata. Hoje, o consultor criou o Aliança de Cultura Pop, atividade empreendedora que leva para fora do Brasil registros de quadrinhos de Pernambuco e do País.

Para dar certo, todo empreendimento digital precisa de planejamento e dedicação. “Enquanto profissionais se dedicam em tempo integral à produção de conteúdo, os que fazem por hobby dispõem apenas de horas livres. Para estes, obviamente a chance do projeto ser bem sucedido é cada vez menor, exceto se houver uma excelente ideia que sustente o conteúdo”, explica o especialista Rafael Lucian. De acordo com ele, empreender em mídia social é “produzir conteúdo de qualidade e atrair a atenção do público alvo para gerar acessos”.

A divulgação do podcast Toca o Terror acontece de forma massiva. Além da página no Facebook e perfil no Twitter, os integrantes também divulgam em portais especializados no gênero. “A gente tenta passar para mais pessoas, divulgar em outros perfis do Twitter, em fanpages* e vamos passando”, comenta o jornalista Geraldo de Fraga. Sobre o sucesso do Toca o Terror, o diferencial é o humor. “O terror é um estilo que mais tem produção por ano. São em média 300 filmes produzidos, bons ou ruins, com atores conhecidos ou desconhecidos. No podcast, a gente tenta discutir o tema de forma bem humorada, indicar, passar informação tirando onda”.

Fonte: Folha de Pernambuco