RESENHA: Somos Lo Que Hay (2010)

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Por Júlio Cesar Carvalho

Somos Lo Que Hay é um suspense familiar mexicano que chama a atenção pela sua premissa. Tudo começa com uma tragédia: a morte agonizante por envenenamento de um senhor nas instalações de um Shopping Center. Logo se sabe que aquele senhor é o pai de uma família muito pobre constituída por três filhos e a recém-viúva. As coisas ficam tensas quando, durante a autópsia, se descobre um dedo humano em seu estômago. Acompanhamos aqui o desespero remanescente, familiares diante da morte do patriarca e a preocupação urgente de manter os ritos tradicionais, e cruéis, dessa família.

Temos aqui uma boa premissa desperdiçada por um roteiro, que, além de vago em vários sentidos, deixa muitas lacunas em aberto e muito menos cria empatia ou repúdio pelos personagens. O relacionamento entre os irmãos até que empolga, mas a mãe é completamente deixada de lado, o que é uma pena, pois ela parecia ser a melhor personagem por sua natureza bruta de ser. O pior é que a motivação de tudo aqui é pouco explorada, pois o que realmente nos interessa saber é ignorado.

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Visualmente, o filme é bem cru e sujo. Não só na fotografia com tom quase documental, mas nas locações, como viadutos, cortiços e etc, onde putas e meninos de rua fazem parte. O visual às vezes lembra o também mexicano “Amores Brutos”. A direção do estreante Jorge Michel Grau (um dos diretores de The ABCs of Death) que também assina o roteiro, é preguiçosa, seguindo sempre na zona de conforto sem arriscar. As cenas de violência são convincentes mais pelas performances dos atores do que graficamente, já que não são explícitas. A trilha tem seus momentos, e só.

O ponto alto aqui é definitivamente a atuação. Alfredo, vivido visceralmente por Francisco Barreiro, é o mais centrado de todos. Visivelmente desolado pela perda do pai, ele se vê em conflito com os bizarros costumes de sua família e ainda tem de tomar o seu lugar na liderança. Ao contrário de seus irmãos e sua mãe, que não parecem estranhar, ou se incomodar com o fato de precisarem ‘caçar’ humanos pra comer(?). A palavra ‘ritual’ é por vezes repetida, mas sem propósito algum. Bem, aí entra o problema de roteiro já citado. Afinal, se eles precisam, apenas o fazem por mau gosto ou por maldade? Isso, meus amigos, só o roteirista sabe. Ah, além da família, tem uma dupla policial que ‘investiga’ os misteriosos desaparecimentos das vítimas, mas isso é tão mal explorado que ‘nem fede nem cheira’ para a trama.

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Apesar de um “bom” final, Somos Lo Que Hay é um filme que poderia ser muito mais e não vai impressionar o quanto promete fazê-lo. Mesmo assim serve para lembrarmos o quão monstruosas algumas pessoas podem ser quando motivadas por algo que, seja lá o que for, acreditam cegamente ser o certo.

P.S.: Um remake americano foi feito nesse ano de 2013 sob o nome de We Are What We Are.

Título nacional: Somos o que Somos
Direção: Jorge Michel Grau
Roteiro:  Jorge Michel Grau
Elenco: Francisco Barreiro, Adrián Aguirre, Miriam Balderas
Origem: México

2 comentários sobre “RESENHA: Somos Lo Que Hay (2010)

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