RESENHA: Antisocial (2013)

Antisocial 2013 movie poster

Por Geraldo de Fraga

Quando George A. Romero, lá 1968, concebeu A Noite dos Mortos-Vivos, dava-se início a uma era onde alguns filmes de horror, além de assustar, teriam suas histórias recheadas de metáforas para criticar a sociedade americana. E nenhum cenário é melhor para promover esse tipo de debate do que um cenário apocalíptico.

Seja uma invasão zumbi, a propagação de um vírus letal ou uma invasão alienígena, o caos estabelecido onde antes havia ordem é um prato cheio para esse tipo de “cinema-protesto”. O próprio Romero já criticou o consumismo deixando seus personagens isolados em um Shopping Center, enquanto do lado de fora, uma horda de mortos-vivos tentava invadir o lugar. (Rolezinho? Pesquisar…)

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Não foram tantos diretores assim que se propuseram a esse debate, infelizmente. Mas existe uma leva de cineastas que tendem por essa ramificação. Cody Calahan, no seu longa de estréia, Antisocial (2013), onde também assina o roteiro, monta uma obra que se ergue contra a dependência crescente das pessoas em relação às redes sociais. Fica claro que a crítica em questão é contra a super exposição e à falta de privacidade.

Acompanhamos a história de cinco amigos que decidem passar a noite de ano novo juntos, na casa de um deles. Antes, porém, ficamos sabendo que quase todos possuem perfis em um facebook fictício chamado Social RedRoom e quais são seus níveis de dependência com o site. A menina que não desgruda do Iphone e posta fotos a cada minuto, exemplifica bem.

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Conforme o tempo vai passando, vários relatos chegam pela TV e pela Web de que tumultos estão acontecendo em diversas partes do mundo. Pessoas se atacando nas ruas, sem motivo ou causa aparente, inclusive, na cidade onde eles estão. Assustados, os jovens decidem se trancar dentro de casa e ficar acompanhando as notícias em segurança.

A decisão de Cody Calahan em manter os personagens em isolamento, enquanto a balbúrdia corre desenfreada mundo afora, é acertada. Isolamento é essencial nesse tipo de filme. Esqueçam as ruas de Israel sendo tomadas por zumbis em Guerra Mundial Z. Terror funciona sempre melhor com confinamento.

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Infelizmente essa é a única decisão acertada de Cody Calahan. Quando os personagens começam a desconfiar que o vírus pode ser transmitido (e de fato é) quando se acessa a RedRoom, desfila-se aquele festival de clichês presentes em 9 de cada 10 produções do gênero, com mil e uma trapalhadas e decisões estúpidas a cada minuto.

O elenco também é fraquíssimo. Os efeitos são bons, mas como não são essenciais à história servem só de enfeite. Cody Calahan ainda conseguiu enfiar no roteiro uma história de amor pra lá de insossa. A soma de todos esses erros, claro, levou o filme a uma conclusão no mínimo patética.

E o discurso criticando a juventude viciada em redes sociais? Dava pra escrever em 140 caracteres ou postar na timeline de alguém. Não precisava de um filme.

Nota: 3,0

Direção: Cody Calahan
Roteiro: Chad Archibald, Cody Calahan
Elenco: Michelle Mylett, Cody Ray Thompson, Adam Christie
Origem: Canadá

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