RESENHA: Baby Blues (2013)

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Por Júlio César Carvalho

Nem o terror asiático se salva de ter filmes ruins. Esse exemplar chinês entra pra categoria “vergonha alheia” com muito requinte e determinação.

Um jovem casal se muda para uma casa linda. Lá, encontram uma boneca deixada pelos donos anteriores e resolvem adotá-la. Em frente à mansão vive um sem-teto que os adverte que eles devem ir embora, mas lógico que é ignorado. Ela é uma blogueira que descobre estar grávida de gêmeos e ele um produtor musical que precisa criar uma música para uma estrela do pop local.

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Durante o processo criativo, já em casa, sem querer ele derruba a boneca que cai no teclado formando uma sequência de notas. Tá feita a música! Mas ao ouví-la, a cantora se acidenta gravemente. Daí por diante, várias coisas sinistras começam a acontecer. Flashes da boneca em um movimento meio mangá intercalam todas as sequências mortais da trama para entendermos sua influência nos eventos. Porra! Os caras usam a mesma cena (a boneca apontando o dedão pra tela) de arquivo toda hora, tipo quando Hulk se transformava na série antiga ou quando o Jaspion chamava o Daileon.

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Falando nesses vícios, o diretor, Po-Chih Leong (Fora do Alcance com Steven Seagal e O Detonador com Wesley Snipes) é praticamente um Zack Snyder “Made in China”. O cara abusa das inúmeras tomadas de computação gráfica em câmera lenta afim de torná-las épicas, mas acaba por banalizá-las. Não adianta ter uma fotografia cristalina e uma edição rebuscada se isso não serve para a imersão do espectador na história que está sendo contada. As atuações são ruins e não valem um parágrafo sequer para comentar.

Já o terrível roteiro, após nos convencer que a boneca exerce uma influência letal na vida de quem escuta a música ou cruza seu caminho, o mesmo nos apresenta um arco dramático quando um dos gêmeos morre na hora do parto, causando um estado de Baby Blues (tipo um início de depressão pós-parto) justificando assim o nome do longa. Daí em diante, ela passa a agir como se a boneca fosse o bebê morto e assim cria ambos os “filhos” com total apoio do marido (COMO ASSIM?!) que age como se fosse normal aquela situação.

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Os efeitos práticos são negativamente hilários, causando total “vergonha alheia” até por se tratar de um filme de 2013. Em um momento, por exemplo, em que a mãe deixa o bebê sobrevivente cair da varanda da casa (!), vemos nitidamente uma boneca daquelas que mija, arrota etc (possivelmente da Estrela – exemplo).

Outro momento ridículo dos efeitos artesanais é quando a boneca maldita, agora andando, segue “chutando”(!) o bebê afim de rolá-lo até a piscina. Estranho porque falhas grotescas como essa contrastam com belos momentos em CGI com câmera lenta que lembram aquela franquia Premonição (Final Destination), onde a morte em si é a vilã. A boneca amaldiçoada, ora atua mais na manipulação do ambiente para conseguir a morte de alguém, ora se mexe ao bom estilo Chucky. Aí você me pergunta: E a boneca é assustadora? Não!

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Já falei demais sobre esse filme que só erra. Nem a revelação causa espanto. O irritante é que Baby Blues é um filme que se leva a sério e até que tenta, mas falha miseravelmente em sua tentativa de causar medo. Com um roteiro fraco e uma direção solta, nem o requinte visual ajuda nessa missão básica de um filme de terror. Ah, e o final? Mais clichê impossível!

Veredito: UM CU CAGADO!

Direção: Po-Chih Leong
Roteiro: Bak-Ming Wong
Elenco: Sing Kwan Janelle, Raymond Lam, Hoi-Pang Lo
Origem: China

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