RESENHA: Bairokêshon (2013)

bilocation-poster[1]Por Júlio César Carvalho

Antes de tudo, é preciso esclarecer que Bairokêshon não é bem um “filme de terror”, como é classificado, mas sim, um suspense com tema sobrenatural. Na trama, uma pintora conhece um deficiente visual, casa e vive uma vida normal e rotineira, mas tudo começa desabar ao descobrir que existe uma cópia sua aprontando por aí. No entanto ela percebe que não é a única a ter duplicadas e se junta a um grupo de apoio a pessoas com o mesmo problema. Daí nos é apresentado, pelo líder do grupo, o fenômeno chamado de “bilocação”.

Segundo ele, as tais cópias seriam uma materialização dos sentimentos mais intensos e reprimidos que, consequentemente, isso se tornaria um perigo em potencial para a vida dos originais. Dito isso, paro por aqui para evitar spoilers sobre esta ótima premissa. Sobre o fenômeno em si, claro que o roteiro cria sua versão, mas se tiverem curiosidade em se aprofundar no assunto, tem muita fonte de pesquisa na internet. Untitled-3Os personagens são cativantes. Cada personalidade, tanto dos originais como de suas “bilocações”, é bem desenvolvida e criar o vínculo necessário com o espectador. O ótimo roteiro acerta em mostrar que nem sempre a cópia é necessariamente má evitando o maniqueísmo básico e superficial que estamos acostumados do cinema yankee. Além do casal protagonista, todas as subtramas são muito bem exploradas e se resolvem satisfatoriamente. As atuações são acima da média, como a protagonista vivida pela bela Mizukawa Asami. Também merece destaque para a atriz Sakai Wakana que interpreta uma mãe que protege seu o filho enfermo de seu alter ego materializado.

A ótima direção fica a cargo da já experiente no estilo Mari Asato, que também assina o roteiro. Sempre com muita paciência, sutileza e precisão, sabe o quê e como mostrar tudo de uma maneira muito eficaz. Por exemplo, a cena onde vemos pela primeira vez a “bilocação” da protagonista é simples, bela e assustadora. Lembrando que o longa não se vale de sustos gratuitos sempre te pegando de surpresa. Vale conferir a filmografia de Asato que, inclusive, está adaptando a versão cinematográfica do clássico, e cabuloso, jogo de horror do Playstation 2: Fatal Frame.

Untitled-4Tecnicamente, Bairokêshon é acima da média. A fotografia não usa uma paleta de cores chamativas mantendo assim um tom mais realista. Os efeitos visuais são simples e eficazes, servindo apenas ao roteiro evitando impressionar gratuitamente. Um detalhe nos olhos das duplicatas pode parecer tosco (ou cômico) e causar incomodo de início, mas com o decorrer da trama acabamos acostumando.

Bairokêshon, apesar de ter uma pequena queda de ritmo na sua primeira metade, é um bom filme em vários os sentidos. Reviravolta é o que não falta aqui sendo bem dosadas durante a trama. Em suma, é um filme que gera debate e tem um final, que diante de tanta covardia e mediocridade ocidental, se mostra corajoso, cruel e apropriado.

Untitled-2Veredito: MUITO BOM!

Ah, não é querendo soar pessimista, mas, já soando, não me surpreenderia se Hollywood anunciasse um remake dessa beleza. Com uma versão mais rala do roteiro, mais foco no romance, a devida campanha de marketing e os astros da nova geração, bombaria nas bilheterias fácil! Claro que o final seria diferente, pra virar uma franquia… Ok, parei com o agouro.Untitled-5Direção: Mari Asato
Roteiro: Mari Asato (baseado na obra de Haruka Hôjô)
Elenco: Asami Mizukawa, Yôsuke Asari, Chûkichi Kubo
Origem: Japão

Um comentário sobre “RESENHA: Bairokêshon (2013)

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