RESENHA: Byzantium (2012)

byzantium-posterPor Júlio César Carvalho

Após 18 anos da estreia de Entrevista Com o Vampiro, Neil Jordan está de volta ao gênero e escolhe uma espécie de reinvenção dos tão famosos vampiros. O longa é adaptado a partir da peça teatral A Vampire Story da escritora Moira Buffini que também assina o roteiro. Apesar de ter sido produzido em 2012 e a partir daí exibido mundo a fora, Byzantium ainda está para estrear no país… com um atraso de pouco mais de 2 anos! 

byzantium2Byzantium conta a história de Clara e Eleanor. Mãe e filha que fingem ser irmãs e fazem de tudo para sobreviver ao longo de 2 séculos de existência. Apesar da sinopse e chamadas publicitárias dizerem que se trata de um filme de vampiros, o longa deixa bem claro que não é bem isso. Em certos momentos a palavra “vampiro” é até citada, mas sempre de uma forma vaga afim de evitar debate sobre o assunto.

Na verdade, as criaturas aqui mostradas aqui se denominam “sucrientes“. Esses seres precisam de permissão para entrar, tem imortalidade e sede de sangue como via de regra, mas as semelhanças com os vampiros tradicionais param por aí. Esqueça a aversão à luz do dia, do alho, super força ou habilidades sobre-humanas. Ninguém morde ou transforma outrem aqui. Os tais sucrientes usam a unha do polegar, em vez dos caninos, que cresce de uma forma que possa ser usada para perfurar suas vítimas afim de se alimentar.

byzantium3Tudo aqui gira em torno das nossas heroínas. Clara é exatamente como descrita por sua filha: “Cheia de segredos. Minha salvadora. Meu fardo. Minha musa“. Vivida pela linda Gemma Arterton, a personagem cativa, seduz e assusta com toda sua sensibilidade, sexualidade e brutalidade na qual é retratada. Já sua filha, Eleanor, é a eterna adolescente que parece não ter amadurecido muito em 200 anos de existência, sendo como ela mesmo diz em certo momento “tenho 16 anos pra sempre” uma verdade incontestável. Apesar do bom trabalho da atriz Saoirse Roman, Eleanor torna-se uma personagem intragável em alguns momentos, mas também justificável já que realmente não deve ser nada agradável “viver” daquela forma.
byzantium
Com uma direção impecável de ninguém menos que Neil Jordan, Byzantium é tecnicamente muito bem cuidado. O deslumbre visual é um dos pontos fortes desse longa, que conta com a bela fotografia de Sean Bobbitt (Shame e 12 anos de Escravidão), que nos presenteia com quadros espetaculares.A trilha de Javier Navarrete (O Labirinto do Fauno) também chama a atenção por sua sensibilidade. A condução lenta e sem sustos, deixa claro que Byzantium é na verdade um drama com elementos fantásticos e está longe de ser um filme tradicional de horror. O roteiro segue uma ordem cronológica linear com interferências de flashbacks que vão ficando frequentes a medida que o filme avança, o que mantém o clima de mistério e tensão. Fica clara a analogia da cultura milenar patriarcal que assola as mulheres e veem nelas uma ameaça potencial, necessitando assim, a repressão das mesmas afim de preservar a “ordem”.
Há romancezinho adolescente? Sim, mas nesse caso não chega a ser nocivo para o todo. Na verdade, o jovem casal rende bons diálogos sobre crises existenciais deixando o lado meloso quase que inexistente. O que move a trama em Byzantium é o constante clima de urgência que parte da premissa de que nossas heroínas estão sempre em fuga. Vivendo como nômades, fazem de tudo, principalmente a mãe, para apenas sobreviver. O breve clima de road movie desaparece quando elas encontram abrigo em um albergue que dá nome ao título, deixando o filme mais lento. A ameaça aqui realmente tem peso na trama, pois seus caçadores realmente soam como um perigo constante. Sobre toda mitologia aqui apresentada, tem muito a ser falado, mas aí seria spoiler e encerro por aqui.

byzantium4Em tempos de “vampiros purpurinados”, Byzantium surge como um exemplo de que se pode reinventar algo sem cair no ridículo. O final pode até ser um pouco sem sal e tentar forçar uma possível continuação (que espero que nunca aconteça), mas funciona dentro do contexto. Em suma, é um bom filme que deve ser assistido, mas como já falamos a respeito [FILMES: Ignorados pelas distribuidoras]. Infelizmente, Byzantium está entre eles. E esse não foi apenas esquecido para os cinemas brasileiros, mas até o DVD e o Blu-Ray não existem aqui. Então, leitor, se a estreia “prometida” não acontecer, terá que adquiri-lo importando-o e, mesmo assim, sem legendas em português.

Ah! Se esses seres tem poder de sedução não dá pra dizer, já que, sucriente ou não, quem não se sentiria naturalmente atraído pela Clara? :D~~~~

Veredito: MUITO BOM!

Direção: Neil Jordan
Roteiro: Moira Buffini
Elenco: Saoirse Ronan, Gemma Arterton e Sam Riley
Origem: Reino Unido, EUA e Irlanda

Um comentário sobre “RESENHA: Byzantium (2012)

  1. Um puta filme assistir ontem à noite fiquei apaixonado pela atriz recomendo a forma de cm ela conta sua existência é belo assustador e apaixonante a cena de quando ela conta sua história e foda só podendo provar sua existência através do tempo

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