RESENHA: American Horror Story – Freak Show

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Por Geraldo de Fraga

Para quem nunca acompanhou a série, vale informar que a proposta de American Horror Story é nos apresentar uma história diferente a cada temporada, mantendo grande parte dos elencos anteriores. Após se ambientar em uma casa assombrada, um manicômio judiciário e um clã de bruxas, nesse quarto ano, o programa aborda o universo dos shows de horrores, atrações bem populares nos Estados Unidos dos anos 30.

Mas o enredo de AHS não foca na “era de ouro” desse tipo de espetáculo. A história se passa em 1952, quando esses circos já estavam em decadência. Um dos últimos que existem é comandado por Elsa Mars (Jessica Lange) e chega à cidade de Jupiter, no estado da Flórida, atrás de uma nova atração. No caso, as gêmeas siamesas Bette e Dot Tattler, interpretadas por Sarah Paulson.

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A partir daí somos apresentados às outras aberrações: o menino lagosta Jimmy Darling (Evan Peters), sua mãe, a mulher barbada Ethel Darling (Kathy Bates) e a menor mulher do mundo, Ma Petite (Jyoti Amge) e mais algumas. O roteiro foca na convivência entre essas atrações circenses e seus conflitos contra os preconceituosos moradores de Jupiter.

Além do cotidiano do circo, há arcos envolvendo um palhaço serial killer, um entediado riquinho com tendências homicidas e um charlatão que planeja um golpe nas aberrações. Há também a participação de um personagem que realmente existiu: Edward Mordrake (Wes Bentley), o famoso homem de duas cabeças.

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O polêmico filme Monstros (Freaks), de 1932, dirigido por Tod Browning, que foi execrado na época de lançamento, mas que hoje é cultuado como um clássico do cinema, foi nitidamente usado para compor o universo do Freak Show. Inclusive, alguns personagens são idênticos, como Meep (Ben Woolf) e Pepper (Naomi Grossman), que até já havia aparecido caracterizada dessa forma na segunda temporada.

Talvez o público dos outros países não fique empolgado com o tema, mas para ganhar a audiência de lá, AHS tem um triunfo nas mãos. Os Shows de Horrores simbolizam uma época marcante na história dos EUA: a grande depressão. E é ainda mais interessante vê-las ambientadas nos anos 50, duas décadas após a recessão, em um contexto histórico onde a economia americana se reerguia e as atrações mambembes desapareciam.

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Outro mérito dos produtores foi deixar de lado uma característica que atrapalhou muito as temporadas anteriores: os inúmeros temas apresentados, que deixavam o telespectador confuso e que, por vezes, dispersava a audiência. Dessa vez, por mais que tenha vários arcos e núcleos, a história se concentra em um universo limitado: o circo e a cidade de Jupiter.

O horror também não está maquiado. As cenas são violentas na medida certa e, por várias vezes, perturbam, como deve ser uma obra de terror. As histórias dos personagens são tão grotescas e marcantes como suas aparências e isso é mais um ponto positivo. Como é de praxe na série, o sexo dá as caras muitas vezes e, com aberrações no meio, fiquem preparados para tudo. Há defeitos, como alguns furos no roteiro e um certo excesso de números musicais, mas nada que atrapalhe.

Após 10 episódios, American Horror Story entrou em recesso e só volta a ser exibida em janeiro, quando irão ao ar os três últimos capítulos. Se nenhuma tragédia acontecer, tem tudo para ser a melhor temporada até agora. Mas sabemos que na TV, a liberdade criativa depende de interesses comerciais mais nefastos do que os donos dos freak shows. Aguardemos.

N.D.R.: A Fox Brasil anunciou que apenas em Janeiro a nova temporada será exibida no país.

Nota: 7,0

2 comentários sobre “RESENHA: American Horror Story – Freak Show

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