RESENHA: Exists (2014)

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Por Júlio César Carvalho

Em 1999, a dupla Daniel Myrick e Eduardo Sánchez concebeu ao mundo o icônico A Bruxa de Blair (The Witch Blair Project) que chamou a atenção por deixar muita gente com a pulga atrás da orelha se perguntando se as imagens exibidas das tais fitas VHS achadas eram reais, ressuscitando assim o estilo found-footage já existente, porém, até então não tão popularizado. 15 anos depois, Eduardo Sánchez revisita estilo que o lançou, mas seria melhor que não o tivesse feito.

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Desde 1967, houveram cerca de 3 mil casos de encontros com Pés-Grande apenas nos EUA. Especialistas dizem que tais criaturas só são violentas quando provocadas”

É com essa informação que o filme começa. Na trama, Matt (Samuel Davis), Dora (Dora Madison Burge), Todd (Roger Edwards), Elizabeth (Denise Williamson) e Brian (Chris Osborn) vão passar uns dias em uma cabana na floresta e, sem saber, vão fazer parte da estatística informada logo de início. Acompanhamos aqui as filmagens através de uma edição bem complexa, afinal, são muitas câmeras. O responsável pelos registros é o Brian, irmão do Matt que é tipo o líder do grupo. Grupo esse, aliás, sem carisma algum.

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Logo de cara, em menos de 5 minutos de filme, eles batem com o carro em alguma coisa e o vulto do monstro já é registrado por uma das câmeras do carro. Achando pouco, essa cena fica sendo repetida várias vezes e cada vez mais lenta até que congela a imagem, revelando a silhueta do gigante peludo. Todos ficam apreensivos, descem do carro para ver os danos causados ao carro e mais vultos são registrados mata a dentro.

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Depois disso a galera vai pra cabana, andar de bicicleta, tomar banho de açude, se pegar etc, mas o cinegrafista da turma fica obcecado em fazer mais imagens na tal criatura afim de colocá-las no youtube. Sim, ele diz isso! Não demora e na noite do mesmo dia, já na cabana, o monstro vai lá amedrontá-los sem timidez alguma. Tudo é registrado, claro, já que tem câmera até nas árvores ao redor da casa. Há uns momentos bem tensos dentro da cabana e estes são justamente os quais a criatura não é mostrada. Como fez muito bem no já citado A Bruxa de Blair, onde só temos os sons como referência.

Não vou ser escroto e negar que há umas duas sequências legais aqui. Uma delas é a que quando o monstro corre atrás do cara que está de bicicleta e vemos através da câmera do capacete. A cena é de dia e sempre que o cara olha pra o lado e pra trás vemos o bicho se aproximando. Já a outro momento tenso, e bem feito, é o ataque a cabana onde a situação de horror é realmente bem representada. O resto é bem genérico. Mais do mesmo dentro do formato found-footage tão explorado ultimamente.

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Exists tenta, mas é impossível criar empatia por tais personagens. Não mostra nenhum peitinho, aí fica difícil se importar, né? Bom, o filme segue em um ritmo crescente que pode até prender a atenção pela urgência constante, apesar do excesso de exposição do pé-grande, mas tudo encaminha pra uma vergonhosa conclusão que tenta forçar um senso de justiça entre monstro e suas vítimas. Claro que não vou contar tal motivação ‘humana’ da criatura para os ataques, pois seria o único spoiler de peso aqui.

Veredicto: EXISTE, MAS NÃO DEVERIA.

Escala de tocância de terror:

Direção: Eduardo Sánchez
Roteiro: Jamie Nash
Elenco: Samuel Davis, Dora Madison Burge, Roger Edwards
Origem: EUA

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