RESENHA: Flowers (2015)

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Por Júlio César Carvalho

Feito na raça, e graças ao nítido empenho de todos os envolvidos, Flowers te leva numa viagem visceral que impressiona, não só pela ausência de diálogos (sim, porque ninguém aqui diz um “a” se quer), mas pelo gore e situações deploráveis em que as seis protagonistas vivenciam. Tentarei falar o menos possível sobre o enredo pra não estragar a experiência de quem ainda não assistiu.

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Na trama, acompanhamos o drama de seis garotas que acordam em uma casa e percebem que estão presas por algum psicopata. O detalhe é que nenhuma sabe da existência da outra, então vamos acompanhando uma a uma, quase que simultaneamente, o caminho doloroso para uma verdade nada agradável.

As filmagens beiram o caseiro, porém com tomadas de bom gosto com uma fotografia praticamente sépia na maior parte do tempo. A maquiagem é eficiente e funciona bem com os nojentos, e eficientes, efeitos práticos. Como já foi dito, Flowers é isento de diálogos. Tudo aqui é “narrado” por uma trilha angustiante e sons perturbadores. As atuações não são lá essas coisas, mas essas atrizes realmente estão de parabéns pela coragem de encarar certas situações nas quais são submetidas. É muito amor a arte do horror. Duvido ver uma “namoradinha da América” no lugar dessas moças em um filme do tipo.

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Graficamente, Flowers impressiona por ser explícito, mas em contra partida o roteiro pouco oferece para prender a atenção apenas pelo visual. Nem precisa dizer que o ritmo é super lento, e isso não é ruim, só que a escatologia apresentada a todo instante vai perdendo o impacto inicial. Apesar de curto (apenas 1h20min), fica a impressão que o filme funcionaria melhor se fosse menor ainda. O fato é que não há conteúdo relevante suficiente para se sustentar por mais de 1 (uma) hora de filme sem soar cansativo, sustentando-se assim apenas pela curiosidade mórbida do espectador de saber até onde vai aquilo tudo. Mas felizmente, o terceiro ato nos reserva fortes revelações, que apesar de óbvias, fazem valer toda experiência.

No fim das contas, Flowers é um filme cru, difícil, reflexivo e honesto. Com certeza não é um filme para o grande público. Me arrisco a falar que pode ser difícil a apreciação até mesmo para quem curte o estilo ocasionalmente, pois é preciso ser um pouco mais “engajado no movimento” para enxergar alguma beleza e/ou sentido em tudo que é mostrado.

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Flowers foi exibido no Golden Rake Awards nos EUA no início desse ano, mas há vídeos dos bastidores da produção no Youtube (no canal do diretor) que datam de 2013. Ou seja, tem tempo que Phil Stevens que produz, assina o roteiro e a direção, vem trabalhando nesse trabalho de estreia e espero ver mais trabalhos desse cara pois fez “bonito”.

Veredicto: OBRIGATÓRIO PARA FÃS DE HORROR

Escala de tocância de terror:

Direção: Phil Stevens
Roteiro: Phil Stevens
Elenco: Colette Kenny McKenna, Krystle Fitch, Anastasia Blue, Tanya Erin Paoli, Kara A. Christiansen, Makaria Trapatoris
Origem: EUA

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