RESENHA: A Menina que Tinha Dons (2017)

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[Por Geraldo de Fraga]

No ano em que Invasão Zumbi (Train to Busan) esteve em todas as listas de melhores filmes de horror, outro longa utilizando a mesma temática pós-apocalíptica acabou ignorado pelo grande público, apesar do elenco com figuras conhecidas. A Menina que Tinha Dons (The Girl with All the Gifts), escrito por Mike Carey (baseado em seu próprio livro), não é um filme de mortos-vivos com a básica narrativa de sobrevivência e talvez por isso não tenha alcançado o mesmo sucesso do coreano.

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Em uma Inglaterra infectada por um fungo que transforma pessoas em feras famintas e irracionais, um laboratório militar guarda aquilo que pode ser a cura para essa epidemia. Um grupo de crianças que, apesar de terem contraído a infecção, mantêm a consciência e conseguem controlar a fome. Após o local ser invadido pelos contaminados, seis sobreviventes conseguem escapar e partem rumo a um lugar seguro. Entre militares e cientistas, está Melanie (Sennia Nanua), a tal menina com dons.

Apesar de conter cenas de ação, o roteiro concentra-se em metáforas sobre relações humanas. Em um primeiro momento, a história flui bem, com destaque para as personagens de Gemma Arterton e Glenn Close e seus embates sobre ética na ciência. A descoberta de um mundo novo pelos olhos de Melanie também não deixa de ser interessante.

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Mas nem tudo é perfeito. Em seu ato final, o filme traz tanta informação que termina abandonando o tom sóbrio inicial e essa pressa atrapalha um pouco o desfecho. Alguns pontos poderiam ter sido abordados no decorrer do longa e não lançados para nós de uma só vez. Talvez seja mais uma prova de que resumir um livro em uma hora e 40 minutos é uma missão ingrata até quando é feita pelo próprio autor.

A Menina que Tinha Dons começou a ser distribuído agora em janeiro nos EUA e pode ser que, enfim, comece a cativar o grande público – no Brasil não há previsão de lançamento. Apesar dos tropeços, a história de Melanie e seus dons é bem melhor do que muitas coisas que aparecem por aí. Não espere por uma obra prima do subgênero zumbi, mas um passatempo bem digno e que ainda reserva um tempinho para nos fazer pensar.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Girl with All the Gifts
Direção: Colm McCarthy
Roteiro: Mike Carey
Elenco: Gemma Arterton, Glenn Close e Sennia Nanua
Origem: Reino Unido

2 comentários sobre “RESENHA: A Menina que Tinha Dons (2017)

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