LISTA: Mulheres e Cinema de Terror

Neste dia 08 de março, dia de celebração e luta pela igualdade dos direitos da mulher, pedimos a algumas mulheres fãs do horror para indicar alguns filmes. Mas não são filmes quaisquer e sim filmes do gênero que foram dirigidos por outras mulheres. Esse não foi um pedido à toa.

Você sabia que apenas 6,4% dos filmes de Hollywood são dirigidos por mulheres? Pois é… o dado informado por pesquisa conduzida pela Associação Norte-Americana de Diretores (DGA) revela o quanto é desigual o espaço dado a mulheres no cinema. Por isso, mais que nunca é importante dar visibilidade a elas não só aqui em um recorte de gênero predominantemente masculino, mas em tudo o que se faz nas artes e no mercado de trabalho. Para acompanhar mais informações sobre o tema, visite: http://mulhernocinema.com

Com a palavra agora, nossas colaboradoras e fãs de filmes de terror:



PATRÍCIA ROBERTA
(Estudante)

Sempre fui fã de cinema de horror, mas muito me incomodava o fato do gênero ser tão sexista e machista em sua maioria. Nesse sentido foi uma surpresa quando descobri que alguns dos filmes que eu já tinha visto tinham sidos dirigidos e/ou produzidos por mulheres (alguns dos quais eu só descobri recentemente) e foi ai que comecei a procurar mais mulheres dentro da cena.

Filme indicado:
Honeymoon (2014)
Diretora: Leigh Janiak

O filme que eu escolhi faz parte de uma cena indie americana. Conta a história de um casal recém-casado que está indo passar a lua de mel em um chalé (numa floresta) que pertence à familía da noiva. De início tudo está lindo e feliz, até que algo estranho acontece enquanto eles dormem e o clima de felicidade muda para algo misterioso e levemente sombrio (e é claro que acaba entrando em clichês já conhecidos do cinema de horror).
Gosto do filme porque de certa forma ele me prendeu, a diretora consegue construiur uma atmosfera sinistra de uma forma sutil, os créditos técnicos e efeitos especiais simples também são pontos positivos no filme e no geral é um filme que dá pra agitar alguns medos e pesadelos. Espero que gostem da sugestão.




BEATRIZ SALDANHA
(Pesquisadora e crítica de cinema)

Filme escolhido:
O Despertar de Lilith (2016)
Diretora: Monica Demes

Cada vez mais mulheres têm se interessado em dirigir filmes de horror e isso é ótimo, pois acredito que o horror seja um gênero muito feminino. Com as scream queens, as mulheres sempre estiveram muito presentes neles, mas tê-las do outro lado da câmera é algo realmente interessante, pois assim podem falar com propriedade sobre assuntos que lhes dizem respeito.
Este é o caso de “O Despertar de Lilith” (2016), sobre uma moça que sofre repressão da parte do pai e do marido, e que tem um colega de trabalho que a assedia. A cantora Bárbara Eugênia interpreta uma vampira que faz com que a protagonista inicie um processo de transformação em busca da descoberta e do domínio do próprio corpo.
Com elenco estrangeiro, foi dirigido nos Estados Unidos por Monica Demes, cearense radicada no Rio de Janeiro. No Brasil esta co-produção foi exibida em dois festivais: Boca do Inferno (SP) e TRASH (GO), no final de 2016. Esse é o primeiro longa-metragem de Monica, vale a pena ficar de olho no lançamento e nos projetos que estão por vir; não apenas por uma questão temática, mas também porque a diretora tem um estilo bastante marcante ao filmar em P&B, além de uma proposta de horror delicada, mas incisiva, por vezes evocando o cinema de David Lynch, de quem foi aluna.



CAMILA
(Professora)

Filme indicado:
American Mary (2012)
Diretoras: Jen Soska e Sylvia Soska

Este é um filme com texturas fetichistas onde a modificação corporal é levada a sério pelos clientes de Bloody Mary. É interessante notar a mudança de percepção da personagem sobre sua função: o que a princípio parece carregar uma atmosfera de asco e repulsa (a bizarrice nos primeiros clientes por exemplo) passa a ser encarado por Mary como uma forma de expressão quase artística. A linda atriz de Ginger Snaps, Katharine Isabelle, tem um desempenho bom ao encarnar tanto um rosto angelical quanto sensual.




TATI RÉGIS
(Artesã)

Queria indicar dois filmes. São meus mais recentes queridinhos filmes de terror dirigidos por mulheres.

Filme indicado 1:
Amer (2009)
Direção: Helene Catett e Bruno Forzani

“Amer” é um filme de terror diferentão. Me fez pensar nele por dias. Com uma abordagem experimental e conceitual em estilo Giallo, é aberto a diversas interpretações. O filme é dividido em 3 partes, todos com a mesma personagem. Ana tem em sua infância experiências que moldam sua personalidade na fase adolescente e adulta. Quase não tem diálogos, e disso gosto bastante, é cheio de erotismo, violência explícita, simbolismos e metáforas. Tem bastante semelhança com filmes de Argento, no que se refere a estética e é bem Hitchcokiano no quesito suspense. Pra quem não tem medo de filme diferentão, recomendo.

Filme indicado 2:
XX (2017)
Diretoras: Sofia Carrillo, Roxanne Benjamin, Karyn Kusama, Annie Clark e Jovanka Vuckovic

Este filme já merece atenção por ser uma antologia de terror dirigido, roteirizado e protagonizado apenas por mulheres. São quatro segmentos com abordagens que permeiam o “mundo feminino” como seus medos, angústias e desejos. Suspense, mortes, monstros, etc. Outra coisa a se observar nesse filme, é o curta em animação feito em stop motion por Sofia Carrillo. A cada intervalo das 4 histórias, mostra-se um pouco da animação, tendo sua conclusão (linda, por sinal), ao final de tudo.



CAROL PURELAC
(Jornalista)


Filme indicado:

American Psycho (2000)
Diretora: Mary Harron

“American Psycho” é uma escolha meio óbvia: além da direção, a adaptação do roteiro também é toda feminina. Eu o escolhi por N motivos: a priori por Christian Bale (que é um dos meus atores preferidos), também porque em 2000 eu não assistia slasher ou filmes muito sanguinolentos. Quando vi “American Psycho” fiquei encantada. Abriu portas pra muita coisa! Poderia escolher um filme mais diferentão pra citar, como “Humanoids from the Deep”, por exemplo, mas vou optar pelo mais significativo pra mim, pois foi mais ou menos ali que o vício começou.



ADRIANA ARAÚJO
(Comerciante)

Filme indicado:
The Babadook (2014)
Diretora: Jennifer Kent

“The Babadook” é um dos melhores filmes de terror psicológico feito nos últimos dez anos. A diretora, Jennifer Kent, sabe imprimir uma atmosfera de dúvida e medo que permanece até o fim. A escolha de um garoto como catalisador dos eventos é muito acertada: o universo infantil é ambíguo. Além dele também recomendo “Near Dark – Quando Chega a Escuridão” (Kathryn Bigelow, 1987) e “Pet Sematary – O Cemitério Maldito” (Mary Lambert, 1989).



CLARA PAIVA ESTRELA
(Publicitária)

Com mulheres no comando da direção, listei alguns filmes que realmente gosto muito.

Filme Indicado 1:

Encaixotando Helena (1993)
Diretora: Jennifer Lynch

“Encaixotando Helena”, de Jennifer Lynch, abre a lista só com pontos positivos: a temática perturbadora (e para mim, ainda hoje, inovadora); a dupla de protagonistas afiadíssima e “Helena”, a maravilhosa música dos Misfits (que não tá na trilha, mas vale o play depois dos créditos finais).


Filme Indicado 2:

Kiss of the Damned (2012)
Diretora: Alexandra Cassavetes

O próximo filme é um delírio para os olhos. Dá até um arrepio. A fotografia, os atores, os ângulos, a trilha e a temática, tudo junto, me deixa com vontade de transar. “Kiss of the Damned”, de Alexandra Cassavetes é lindo. Vampiros meio à moda antiga, com o que a gente mais gosta: desejos proibidos, muito sangue e muito sexo. Está disponível no Netflix e para mim, é uma verdadeira jóia.

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