RESENHA: Parasites (2016)

[Por Felipe Macedo]

Filmes cuja estética suja e que remetem a clássicos de décadas passadas sempre vão chamar minha atenção, como foi o caso desse “Parasites”, realizado ano passado e de orçamento notavelmente modesto. A história do longa é bem basicona e já vimos em várias vezes. Um grupo de rapazes de fraternidade estão girando por uma grande cidade americana quando acabam se perdendo e acabam sendo vítimas de uma violência jamais imaginada por eles.

O destaque é que o diretor e roteirista usou o básico para fazer uma pesada crítica social. O título em si já é uma alfinetada, já que os parasitas no caso são pessoas que vivem à margem da sociedade. O exemplo da vez são os moradores de rua. O conflito entre os mauricinhos e os “vilões” demonstra os preconceitos relacionados a pessoas desabrigadas. O rapaz mais gordinho, provavelmente se fosse brasileiro, seria bolsominion com tamanha arrogância e nojo que apresenta em seu texto de confronto.

Alguns dos diálogos refletem bastante uma horrenda realidade que é tão comum a todos nós. O problema que ela é dita pelo chefe da gang de desabrigados que toma para si o posto de vilão mor da trama. Por carregar muito na tinta, seria mais interessante se ele tivesse uma postura “mais normal” como outros membros. Ainda assim a crítica continua sendo válida.

O protagonista merece um certo destaque pois ele sendo negro, descobre de forma brutal o que é ser visto como negro e pobre com toda a marginalização colocada ali. O interessante é que ele vindo de uma família provavelmente endinheirada, estuda numa ótima faculdade e sendo astro do futebol, provavelmente nunca sentiu o preconceito tão de perto.

O ritmo do filme é bastante irregular, intercalando-se entre a fuga do rapaz e a perseguição dos antagonistas. Acaba se tornando um pouco cansativo, mas como o filme é curto e o final é bem satisfatório isso acaba sendo relevado. O nível de atuações tirando o do vilão é bem fraca e amadora, mas não chega a ser um problema. Isso acaba servindo como uma especie de homenagem aos filmes B dos anos 70.

Falando nisso, o longa se inspira muito em Assalto a 13ª DP, de John Carpenter, tanto no clima cru, quanto na trilha sonora que acaba se tornando um dos pontos altos do filme. Indico para quem curte um suspense de ação, com pitadas de terror ou que queira fugir do basicão que infesta nossos cinemas.

Escala de tocância de terror:

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