DICA DA SEMANA: Scare Campaign (2016)

[Por Jarmeson de Lima]

Apesar do catálogo restrito, uma das melhores coisas da Netflix é poder encontrar produções independentes de horror que circularam muito pouco por aí. Um destes bons exemplos é o australiano “Scare Campaign” que foi exibido apenas em festivais de gênero e que agora todos podem assistir na versão nacional da plataforma de streaming.

Como o título se refere ao nome de um fictício programa de pegadinhas de terror na TV, ele não possui um título nacional. Mas se pudesse, chamaria de “A Maldição de Ivo Holanda“. Bem, vocês sabem, né… estou falando do ator preferido das câmeras escondidas de Silvio Santos que tentava enganar o público na rua mas que eventualmente se dava mal quando suas vítimas furiosas iam pra cima dele quando descobriam a enganação.

Nesta produção escrita e dirigida por Cameron e Colin Cairnes, temos uma equipe deste programa de cinco temporadas de sucesso enfrentando uma baixa na popularidade. O programa deles é uma versão mais sádica e mais elaborada no horror do que as atuais pegadinhas que o SBT tem feito para alavancar a campanha publicitária de filmes como “Invocação do Mal” e “It – A Coisa“.

Em meio à crise global da audiência televisiva, uma das executivas do canal confronta a equipe com videos da nova febre do momento: um canal da Deep Web que apresenta gente assustadoramente mascarada fazendo snuffs. (Afinal de contas, pra que gastar tanto em programas de meia hora se videos curtos amadores causam mais impacto, né?!… Aquele típico pensamento de quem coloca o dinheiro acima de tudo).

Pensando nisso e de forma a tentar salvar o programa e garantir sua continuidade, os produtores decidem radicalizar no último episódio da temporada fazendo algumas mudanças em seu formato. Certamente depois de ler isso, você pode imaginar que vem a frase “e o que eles não previam é que nada sairia conforme o roteiro”. Isso mesmo! É com tiradas assim, algumas reviravoltas e usando bastante a metalinguagem que o cinema permite que “Scare Campaign” nos leva até o final.

Com um bom ritmo e trama que prende sua atenção, mesmo com algumas derrapadas, o filme funciona não só como bom entretenimento para fãs de gore e horror, como ainda critica de leve esse (nosso) gosto por coisas cada vez mais extremas. Voltando a uma comparação com o mundo real da TV, ele é como se “American Horror Story: Roanoke” não tivesse degringolado em seus últimos episódios. Aproveite!

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