RESENHA: 1922 (2017)

[Por André Pinto]

Stephen King está de volta em 2017 mas não é por causa de um novo best-seller. Mais uma vez a fama do autor se arvora em suas adaptações para cinema e TV, com os lançamentos de IT: A Coisa e A Torre Negra no circuitão, e com os dois seriados: Mr Mercedes e O Nevoeiro, na telinha.

Como é de se esperar, os resultados nem sempre são satisfatórios. O destaque vai para dois longas produzidos pela Netflix, surgindo repentinamente (e surpreendentemente) como duas boas adaptações do escritor, uma delas sendo Jogo Perigoso (Gerald’s Game) e 1922.

O longa 1922 é o mais recente, explorando o tema do ato monstruoso de matar e suas consequências, claramente inspirado no conto O Coração Delator, de Edgar Allan Poe. O que me surpreende é o fato da obra trazer dois resultados bem satisfatórios: o de produzir uma boa adaptação “Stephenkingiana”, e ainda proporcionar ao ator Thomas Jane uma segunda chance em sua carreira.

Sim, o notório canastrão entra em estado de graça ao interpretar o personagem Wilfred James, um bronco que planeja matar a própria esposa Arlette (Molly Parker), para vender a sua parte da fazenda e se mudar para a cidade. É um filme difícil, porque o único ponto de contato e empatia do espectador é com um assassino que não hesita em cumprir sua tarefa, e ainda aliciar o próprio filho a ser cúmplice do ato.

É na interpretação cuidadosa do protagonista que o filme tem a sua força. Thomas Jane desaparece completamente e o personagem Wilfred surge, se alimentando de ódio para cometer o pecado dos pecados, mas entrando em um círculo infernal de culpa que tem como pano de fundo uma Nebraska arcaica e decadente, prestes a se desmantelar às vésperas da grande depressão.

A narração de Wilfred, que pontua o filme, revela um pouco o típico texto cru de King. A cena do assassinato é grotesca e chocante, mas condizente com as atitudes desesperadas dos personagens. A descida ao inferno é feita sem floreios, e é na loucura das visões dementes do fazendeiro que o elemento sobrenatural entra em cena. Wilfred acredita que suas ações terão um preço e que o seu ato será pago na mesma moeda.

Amparado por uma direção correta de Zak Hilditch e por boas interpretações, 1922 revela em alguns momentos a sua natureza low-budget, mas que não minimiza o clima e o impacto da narrativa, se tornando, junto com Jogo Perigoso, mais uma obra favorável ao universo cada vez mais cinemático de Stephen King.

Escala de tocância de terror:

Direção: Zak Hilditch
Roteiro: Zak Hilditch
Elenco: Thomas Jane, Molly Parker e Dylan Schmid
Origem: EUA
Ano de Produção: 2017

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