DICA DA SEMANA: Os Demônios da Noite (1995)

[Por Osvaldo Neto]

Foi no ano de 1989 que uma série de TV da HBO deu um gás sem tamanho na popularização do nosso gênero favorito. Intitulada CONTOS DA CRIPTA e baseada nos quadrinhos da EC Comics, ela foi produzida por gigantes como Walter Hill, Richard Donner, Robert Zemeckis e Joel Silver. Apresentada por uma inesquecível representação do ‘The Crypt Keeper’ com a voz do ator John Kassir, os seus episódios tinham cerca de meia hora cada e costumavam sempre contar com atores e diretores famosos em histórias que não se prendiam às limitações dos canais abertos nos quesitos nudez, sexo, palavrões e violência gráfica. Foram 7 temporadas, de 1989 a 1996.

Lançada em 13 de janeiro de 1995 (não por acaso, uma sexta-feira 13) e com um roteiro original, OS DEMÔNIOS DA NOITE (Demon Knight) levou tudo pelo qual a série era tão querida para os cinemas. A produção foi dirigida por Ernest R. Dickerson (BONES) e entregou para o eterno coadjuvante William Sadler um raro papel de protagonista, assim como aconteceu em OS SAQUEADORES (1992, dirigido por Hill).

O misterioso Frank Brayker (Sadler) é incansavelmente perseguido por uma outra figura ainda mais estranha, apenas identificado como O Coletor (Billy Zane). Por acaso, o personagem acaba conhecendo o Tio Willy (o grande Dick Miller), um bebaço que o leva para um hotel que antigamente foi uma igreja (“fechada por falta de interesse”, diz ele). Chegando no local, ele aluga um quarto com a dona Irene (a sempre ótima CCH Pounder) e conhece os demais tipos que estão por lá, a prostituta Cordelia (Brenda Bakke), a empregada Jeryline (Jada Pinkett Smith), o carteiro Wally (Charles Fleischer) e um cozinheiro que chega um pouco depois chamado Roach (Thomas Haden Church), também conhecido como “O Babaca” para o espectador. É com uma informação dada por Roach em sua chegada mais a inevitável aparição d’O Coletor na companhia de dois policiais idiotas (Gary Farmer e John Schuck) que bom… a merda vai bater no ventilador.

OS DEMÔNIOS DA NOITE não tem outro propósito a não ser divertir. A despretensão é a palavra da vez e o longa também presta reverência ao clássico dos clássicos dos filmes de ‘pessoas encurraladas em uma casa grande demais para todas elas’, A NOITE DOS MORTOS VIVOS de George A. Romero. É verdade que ele fica um pouco arrastado rumo ao final mas o elenco afiado, com destaque para um impagável Billy Zane, e a excelente direção de Dickerson seguram a onda. E outra: esse é um filme feito na metade dos anos 90 que poderia muito bem fazer parte da filmografia oitentista do gênero, pois está repleto de humor, ‘gore’ de responsa, criaturas asquerosas e efeitos práticos. Há ainda uma sempre bem-vinda inserção de fortes personagens femininas e negras em um filme de terror mainstream, também realizado por um diretor negro.

Houve um segundo filme do CONTOS DA CRIPTA intitulado BORDEL DE SANGUE, lançado em 1998, que investiu pesado em ser uma comédia de horror. O fracasso de bilheteria da produção fez com que o 3º e último longa da franquia – o fraco RITUAL, de 2002 – chegasse a ser lançado sem qualquer referência à série.

OS DEMÔNIOS DA NOITE está disponível no catálogo da Netflix Brasil.

2 comentários sobre “DICA DA SEMANA: Os Demônios da Noite (1995)

  1. Pingback: “Contos da Cripta – Os Demônios da Noite” (1995), para o Toca o Terror | Blog Vá e Veja

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