RESENHA: O Escolhido (2019)

[Por Geraldo de Fraga]

A nova produção brasileira da Netflix aposta no suspense sobrenatural, usando tudo o que o território nacional tem a oferecer no quesito geografia, como rios e florestas. Situada no Mato Grosso (apesar de ser filmada no Tocantins), O Escolhido começa mostrando a ingrata missão de uma equipe médica indo até um vilarejo no meio do pantanal, vacinar a população contra uma epidemia de Zika que ameaça toda a região.

Chegando lá, após alguns indícios de que não seria muito seguro, os três profissionais encontram uma população avessa à medicina convencional e que se nega a ser tratada. Depois de um primeiro contato hostil, o porta-voz da comunidade coloca panos quentes na situação e tenta explicar aos forasteiros que Aguazul é um lugar que não precisa de remédios, pois todos vivem sob a proteção do tal “Escolhido”, quem tem o poder de curar qualquer um.

Nos seis episódios que se seguem, a série vai tentar propor um debate entre misticismo e ciência. Os médicos, em nome da profissão, se recusam a ir embora sem imunizar o povo. Já os líderes locais querem que os visitantes sumam para que o segredo do vilarejo siga a salvo do resto do mundo. Essa premissa, porém, percorre vários caminhos, sem nunca chegar a lugar nenhum.

A história anda em círculos na maior parte do tempo. A impressão que fica é que, do segundo ao quinto capítulo, os roteiristas não sabiam muito o que fazer. O maior exemplo é a repetição de situações. Os médicos brigam com os seguidores do Escolhido, são punidos, depois perdoados ou escapam, e arrumam mais confusão para, de novo, serem castigados. E por aí vai…

Falando nos protagonistas, quase nenhum age com coerência frente a situação que enfrentam e mudam de personalidade e de humor o tempo todo. Culpa do roteiro confuso, que não dá substância aos personagens. A série até promove alguns flashbacks na tentativa de aprofundar a trama pessoal de cada um, mas não consegue ser relevante o suficiente.

Algo que poderia ser bem explorado é a mitologia criada para Aguazul, que mistura cristianismo com lendas da região Centro-Oeste do Brasil, mas com tanta frase feita e tratamento superficial, nem isso se salva. A season finale nos dá um gancho bem pouco interessante para a segunda temporada, que vai deixar poucas pessoas com vontade de entrar naquela mata de novo.

Escala de tocância de terror:

Direção: Michel Tikhomiroff
Roteiro: Raphael Draccon e Carolina Munhóz
Elenco: Paloma Bernardi, Gutto Szuster e Pedro Caetano
Origem: Brasil
Ano de lançamento: 2019

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