DICA DA SEMANA: Alucarda (1977)

[Por Jota Bosco]

Aproveitando minha recente descoberta dessa obra de arte pelos streamings da vida, minha DICA DA SEMANA vem diretamente do Youtube: ALUCARDA (1977).

O filme do mexicano Juan López Moctezuma (To Kill a Stranger e Mary, Mary, Bloody Mary), que se baseia livremente na vampira Carmilla (da obra de Sheridan Le Fanu), nos conta a história da chegada de Justine (Susana Kamini) à um tipo de convento ou escola religiosa administrada por freiras. Continuar lendo

DVD: “Cinema Trash” – Jess Franco

[Por Osvaldo Neto]

CINEMA TRASH – JESS FRANCO é um dos últimos lançamentos da Obras-Primas do Cinema, que se destacou ao longo do ano no mercado nacional de home video, sempre trazendo ótimos lançamentos em DVD para o colecionador exigente.  A empresa tem feito a alegria dos fãs de cinema de gênero (em especial, os de horror) lançando pérolas que dificilmente ganhariam essas edições especiais e recheadas de conteúdo extra por parte de alguma outra distribuidora. Continuar lendo

PODCAST: Ep. 03 – Exploitation (2ª Temporada)

Podcast “Toca o Terror” – 2ª Temporada – Episódio 03 – 06/07/2013
Com Queops, Geraldo, Jarmeson e Osvaldo.

#terror #dicas #GuerraMundialZ #MaxBooks #cinema #Exploitation #filmeb #tv #livro

Neste mês damos início a uma série de programas com dicas de filmes para as férias. Primeiramente falamos sobre a estreia nos cinemas de “World War Z”, adaptação do livro homônimo de Max Brooks e depois comentamos sobre o livro “Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation”, que conta com a colaboração do crítico e cinéfilo Osvaldo Neto.

EVENTO: 1º Recife Exploitation

Rec_Exploitation

Com o apoio do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, o pesquisador e cinéfilo hardcore Osvaldo Neto se responsabilizou por uma programação especial para a Sala João Cardoso Ayres durante o período entre 17 e 21 de junho. Durante esses cinco dias, a primeira mostra Recife Exploitation celebrará o lançamento do livro “Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation” da editora Estronho. Essa publicação cobre um período de ouro para a história do cinema de gênero mundial e seus autores encararam o desafio de escrever sobre 135 longas metragens que foram escolhidos por meio de um criterioso processo seletivo.

Osvaldo é um dos co-autores do livro e o caráter internacional destas produções é um fato reforçado pela escolha dos cinco filmes que compõem esta mostra, todos também comentados no livro: 2 longas americanos (Superfly e Banquete de Sangue), 1 mexicano (Hasta El Viento Tiene Miedo), 1 japonês (The Street Fighter), e 1 italiano (O Ventre Negro da Tarântula).

1º RECIFE EXPLOITATION – PROGRAMAÇÃO
Local: Sala João Cardoso Ayres – 1º andar – Fundaj (Derby)
Entrada franca (Mediante lotação da sala – 50 lugares)

SEGUNDA-FEIRA – 17 Junho
19h00 – LANÇAMENTO DO LIVRO “Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation”
19h30 – SUPER FLY (1972)
DVD, legendado em português, 93 minutos.

TERÇA-FEIRA – 18 Junho
19h00 – THE STREET FIGHTER (1974)
DVD, legendado em português, 91 minutos.

QUARTA-FEIRA – 19 Junho
19h00 – O VENTRE NEGRO DA TARÂNTULA (1971)
DVD, legendado em português, 97 minutos.

QUINTA-FEIRA – 20 Junho
19h00 – HASTA EL VIENTO TIENE MIEDO (1968)
DVD, legendado em português, 88 minutos.

SEXTA-FEIRA – 21 Junho
19h00 – BANQUETE DE SANGUE (1963) + (Filme surpresa)
DVD, legendado em português, 67 minutos.

GENTE: Russ Meyer e suas musas

Russ-Meyer

Do blog She Demons Zine

Roger Ebert, antes de ficar caduco e fazer uma cruzada contra os filmes de horror dos anos 80, costumava dizer que Russ Meyer (1922-2004) era o único verdadeiro ‘auteur’ americano. O argumento era simples: ao contrário de vários diretores, que se ‘contentavam’ em escrever, dirigir e talvez produzir sua obras, Meyer era pau prá toda obra: escrevia, dirigia, produzia, fotografava, comprava os vestidos, escolhia o elenco, montava e, depois do filme pronto, ia às ruas para vender seus filmes.

Uma pessoa com este ‘perfil’ (o pornógrafo oficial da América, como ele orgulhosamente se definia) ter trabalhado para o sistema de estúdios seria impensável… mas aconteceu. A Fox estava perdidinha: vinha perdendo dinheiro em filmes caríssimos (quase sempre musicais) que ninguém queria ver. Ao descobrir que Meyer fazia filmes baratos que rendiam dez vezes o dinheiro investido neles, não restou dúvida: este é o cara. Meyer, ao receber a proposta, exigiu autonomia, não queria ser apenas mais um contratado. Levou. E, em seu primeiro filme, ainda foi deixado em paz pelos executivos…

Várias qualidades valorizam “Beyond the Valley of the Dolls” (De Volta ao Vale das Bonecas, 1970). É a história de uma fictícia banda feminina, os Carry Nations, e sua ascenção e queda no Jet set americano. Ao contrário do que normalmente acontece, as músicas da ‘banda’ funcionam maravilhosamente. É considerada uma das melhores bandas fictícias da história do cinema.

beyond-the-valley-of-the-dolls

Em entrevistas (posteriores), Meyer disse que queria fazer, ao mesmo tempo uma sátira, um melodrama sério, um musical roqueiro, um violento exploitation, um filme de sacanagem (skin flick) e um drama moralista… acima de tudo, é um filme bonito, colorido, com cortes rápidos (a ´técnica’ de Meyer era ‘picotar’ o filme para disfarçar suas atrizes amadoras) e com generosa dose de nudismo de seu (belo) elenco feminino. Como um ‘plus’, ainda uma performance alucinada de John Lazar, como o psicopata à moda Charles Mason ‘Z-Man’. Uma performance tão boa que ficou marcado como doido e levou anos para conseguir emprego como ator de novo …

O filme foi um sucesso de bilheteria, apesar da censura ter feito questão de dar censura ‘X’. Não era essa a intenção de Meyer, que projetou seu filme para receber a classificação ‘R’, mais branda. Ao ficar sabendo que a censura era definitiva, Meyer tentou trazer o filme de volta para a edição, para ‘chutar o pau da barraca’ Mesmo assim o filme rendeu pelo menos cinco vezes seu custo. Só que a produtora foi acusada pelos jornais conservadores de distribuir pornografia. A autora do livro ‘O Vale das Bonecas’ se deu conta que sua obra ia servir de saco de pancada para o senso de humor de Meyer e Ebert e tentou embargar a obra. Acabou anos depois, num daqueles ‘acordos extrajudiciais’.

valley-dolls-poster