RESENHA: Dia dos Mortos (1985) x Day of the Dead: Bloodline (2018)

[Por Jarmeson de Lima]

Por curiosidade mórbida, um dia após reassistir ao clássico oitentista de George Romero, resolvi encarar o remake que vinha protelando há um tempo e com razão. Sei que é covardia comparar, mas fazer o que, né?! Sem coragem de admitir ser totalmente uma refilmagem, “Day of the Dead: Bloodline” deixa claro que é apenas “baseado em Day of the Dead“. Sei sei… sendo que ele pega emprestado do original duas coisinhas básicas: a ambientação numa base militar e o zumbi “Bub”, que aqui ganha o nome de “Max”. Continuar lendo

EVENTO: Cineclube Toca o Terror (Ago/2017)

CINECLUBE TOCA O TERROR EXIBE FILME DE VAMPIRO DO “PAI DOS ZUMBIS”

Conhecido mundialmente por ser o pai dos filmes de zumbi moderno, o cineasta George A. Romero, falecido no mês passado, realizou em 1976 uma produção que fala sobre um vampiro incomum. “Martin” será exibido no próximo sábado (19) às 16h no Auditório do MAMAM durante a edição do mês de agosto do Cineclube Toca o Terror.

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GALERIA: George A. Romero (1940-2017)

“Romero é dono de uma obra que abordou racismo, segregação, desigualdade social, consumismo e questões existenciais de modo original. Só que ele fez isso no gênero do terror, que sofre muito preconceito. O terror mexe com as pessoas, com medos mais sombrios e as crenças da plateia, que precisa confrontar os seus medos. E a plateia muitas vezes não quer enfrentar medos, mas busca entretenimento leve…”
(Mario Abbade, crítico e curador da mostra “George A. Romero – A Crônica Social dos Mortos-Vivos” exibida pelo CCBB em 2016)

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EVENTO: Mostra George Romero de Cinema – SP e DF

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Considerado um gênio por Quentin Tarantino e referência para Brian de Palma e John Carpenter, George A. Romero inaugurou um gênero que arrasta seguidores e gerou produtos de estrondoso sucesso, além de adaptações de suas criações para outras plataformas tecnológicas. A mostra “George A. Romero – A Crônica Social dos Mortos-Vivos” celebra a obra de um dos mais inventivos diretores de filmes de terror, com apresentação de filmes, documentário e um debate no CCBB São Paulo e Brasília. Continuar lendo

VIDEO-RESENHA: Lovecraft no Cinema & O Despertar dos Mortos

Lançado pela Versátil Home Video, o digistack “Lovecraft no Cinema” reúne três clássicos inspirados na obra do escritor H. P. Lovecraft (1890-1937), e ainda um documentário sobre ele, que é um dos grandes mestres da literatura de horror. Nesta video-resenha, Jota Bosco comenta sobre o produto e apresenta de bônus o Blu-Ray de “O Despertar dos Mortos“, de George A. Romero, filme obrigatório para todos os amantes do gênero e do universo zumbi. Continuar lendo

PERFIL: George Romero

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George A. Romero é, por direito, o grande criador dos filmes de zumbis modernos. Desde sua estreia em “A Noite dos Mortos Vivos”(1968), o universo do terror nunca mais foi o mesmo. Romero “deu vida” aos mortos que passaram a andar, devorar outros humanos e ameaçar o que existia na Terra.

Os filmes de zumbis de George Romero influenciaram diversos outros diretores, mas que não conseguiram, na maioria das vezes, dar o mesmo tom político e de crítica social que suas produções tiveram. E mesmo sendo lembrado só pela “trilogia dos mortos”, Romero ainda fez grandes obras de horror como “The Crazies” (1973), “Martin” (1978) e “Monkey Shines” (1988).

FRASES: George Romero

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O “pai” dos mortos-vivos no cinema deu uma declaração nesta semana sobre o seriado The Walking Dead na revista The Big Issue. Na ocasião, Romero compara a série de zumbis com uma novela.

“Eles me pediram pra fazer alguns dos episódios de The Walking Dead mas eu não queria fazer parte disto. Basicamente, é apenas uma novela com zumbis ocasionalmente. Eu sempre usei os zumbis como personagens para a sátira ou crítica política e eu acho que isto está faltando no que está acontecendo agora. Eu adoro a HQ, mas eu nunca assisti nenhum dos episódios porque… meus zumbis são meio que só meus. Eu esperei pra ver a primeira temporada inteira, a qual eu perdi porque estava viajando. Eu estava esperando pra dar uma olhada, mas acabei não assistindo coisa alguma”.

Leia mais aqui: http://www.universozumbi.com.br

RESENHA: “Diary of the Dead” (2007)

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Por Júlio César Carvalho

“Onde você estará quando o fim começar?”. Essa é a pergunta do poster do quinto filme sobre o apocalipse zumbi que o veterano George A. Romero fez. O que vemos aqui não é uma sequência de seus filmes anteriores e muito menos uma refilmagem. É nada mais nada menos que uma reinvenção do gênero que ele criou. É um novo começo.

A mudança mais notável é o formato narrativo, que, nesse “Diário dos mortos“, segue a linha “found footage” como em “A Bruxa de Blair“, “Cloverfield” e “[rec]“. Sendo que aqui nos são apresentados inúmeros ‘flagrantes reais’, sejam de câmeras caseiras, de segurança, estacionamento, reportagens e até de celulares. Segundo o próprio George Romero, que escreveu e dirigiu o filme, esse é um filme 100% independente, que ele realizou com parceiros e no qual teve liberdade total, coisa que ele não conseguia desde o primeiro de 1968.

O filme começa logo com uma equipe de reportagem que vai cobrir um assassinato típico americano: homem mata a tiros a mulher e o filho e depois se mata. Tudo o que vemos são as imagens feitas pelo cameraman. A bela repórter narra o fato ao vivo no local do crime e logo é interrompida pelo cameraman que, assustado, direciona o foco da câmera para atrás dela: os corpos das vítimas se levantam das macas e atacam os paramédicos, a polícia e a pobre repórter… 

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Bom, e assim começa o apocalipse.

Ao longo do filme acompanhamos um grupo de estudantes de cinema e um professor alcoólatra. Temos Jason com sua inseparável câmera e sua namoradinha cabeça chamada Debra, que é altamente honesta e que ainda se importa com o mundo. Temos o casal de modelos sem cérebro, temos a motorista triste da van, o badboy de Nova York, o nerd que não pega ninguém e o cara que interpreta uma múmia no filme que eles estão filmando na floresta.

Os mortos-vivos: Esses sim são os personagens principais dessa jornada apocalíptica. Tem aos montes. E são podres e desmembrados, sedentos por sangue, famintos por carne, lentos e cambaleantes como devem ser. Há, inclusive, uma cena no início em que os estudantes discutem isso, o que é uma referência crítica e clara aos remakes recentes, onde os zumbis correm até mais que os vivos.

Em meio às gravações de uma cena, eles são surpreendidos pelo noticiário que narra eventos de mortos-vivos em diversos lugares dos Estados Unidos. Confusos e com as opiniões divergentes, eles decidem, por fim, ir para suas casas em busca de conforto e mimo dos pais. A maior parte de tudo que vemos são imagens feitas pela câmera de Jason, que decide filmar esse evento, registrar a verdade e entrar pra história. Logicamente, é criticado por todos que se negam de início a participarem do tal documentário macabro. Na verdade, o que assistimos é o próprio documentário pronto, editado por Debra, que narra todos os eventos ali apresentados.

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Temos sequências ótimas e tensas, como quando chegam a um hospital aparentemente abandonado. Ou quando chegam numa fazenda onde conhecem um simpático caipira surdo e mudo que se comunica escrevendo num pequeno quadro negro que carrega consigo. Durante essa viagem, eles também são surpreendidos por grupos que tomam o poder local, mantendo armas, combustível, alimento e tudo que acham necessários para a sobrevivência sob controle.

“Quando ocorre um acidente, as pessoas não param para ajudar, mas para OLHAR”. George A. Romero, mais uma vez, pega pesado em suas críticas, mostrando o quão obcecados somos em registrar tudo o que vemos. Filmar em vez de tomar uma providência, só pra por na Internet e ter a atenção de milhares de desconhecidos.

O clima de realismo dado pelas diferentes fontes das imagens é o que dá um diferencial. A tal renovada que George Romero pretendia dar à temática é obtida com êxito. Outro fator que ajudou muito são as constantes notícias da rádio, que nos bombardeiam de eventos em tempo real dessa catástrofe mundial, reforçando ainda mais a gravidade da situação. A edição cheia de interrupções, como a bateria da câmera que descarrega e as reflexões da narradora sobre as questões de ética humana deixam o filme mais interessante.

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É melhor eu parar por aqui, tem muita coisa para ver ouvir e, acredite se quiser, para refletir nesse grande filme que, com certeza, é um aula no estilo ‘zombie/found footage’. Acho que é o mais completo do gênero ‘zumbis’ e é bem melhor que o seu filme anterior “Terra dos mortos”. Aqui ele mostra o porquê de sua fama com o bom gosto por belas, criativas, repulsivas e até inovadoras tomadas.

É bom ver que ainda tem gente que faz arte pela arte, seja ela qual for. Obviamente o velhote não é um astro bilionário de Hollywood, mas tem seu lugar garantido na história da sétima arte mundial. Uma última coisa… vejam até a última cena!

Nota: 9,5 (Faltou sacanagem)